Faça-se justiça. Crítico ou não à política econômica do nosso governo, não há como negar que ela está passando bem pelo teste em meio às turbulências globais, originadas na crise de confiança no mercado hipotecário dos EUA—após o estouro da bolha imobiliária—e que se espalhou pelo mercado financeiro internacional.
Embora seja prematuro afirmar se seremos contaminados pela crise, a ponto de prejudicar a economia real — ainda não se sabe das dimensões dos estragos na economia mundial— no entanto, podemos afirmar que estamos em melhor condição para enfrentar situações como esta. Este é um cenário completamente diferente de dez anos atrás, quando estouraram as crises asiáticas e russa, que forçaram o Brasil a recorrer ao FMI- Fundo Monetário Internacional.
Esse cenário é mérito da equipe econômica, - liderada antes por Antônio Palocci e agora por Guido Mantega, tendo a frente o presidente da República -, que, desde o início, soube compreender as reais necessidades do país. Foi esta equipe que seguiu por caminhos que nos levaram a uma situação, não exatamente confortável, mas, pelo menos, capaz de garantir aos mercados que estamos preparados para sustentar solavancos.
Podemos discordar de um ou outro ponto da política econômica, criticar o conservadorismo do Banco Central, que poderia ter baixado ainda mais os juros; mas o fato concreto é que os pilares da política econômica—câmbio flutuante, superávit fiscal, metas de inflação—estão corretos e deram resultados positivos. Foram estes pilares que levaram-nos a ter US$ 160 bilhões em reservas. Foi essa política econômica que levou-nos a ter investimentos diretos estrangeiros na casa dos US$ 34 bilhões no acumulado dos últimos doze meses, o maior volume registrado pela série histórica do Banco Central, iniciada em 1947, um indicativo de confiança no Brasil; e sem fazer as privatizações que foram feitas no governo FHC, que, ao lado da paridade cambial, eram a sustentação do Plano Real. Estamos com superávit nas contas externas, um demonstrativo cabal da saúde financeira. A somatória disto tudo foram decisivo para reduzir a vulnerabilidade da economia, abrindo caminho para o crescimento econômico.
Os resultados positivos da política econômica podem facilmente ser comprovados pelos dados da economia real: aumento do emprego e da renda, inflação sob controle, superávit nas contas externas, dívida externa controlada, dívida interna também sob controle e dólar num patamar suportável. Enfim, um cenário oposto ao que o país passava em janeiro de 2002, quando o presidente Lula tomou posse pela primeira vez.
O nosso governo foi competente no saneamento das contas públicas, sem cortar gastos sociais, investindo no funcionalismo, recuperando o papel do estado como indutor do crescimento. O PAC—Programa de Aceleração do Crescimento— representa a recuperação, em outros termos, dos investimentos públicos em infra-estrutura, como estradas, energia, aeroportos, portos marítimos e fluviais. As chamadas parcerias público-privadas (PPPs) atraem o capital privado para investimentos diretos em áreas que o estado, sozinho, não tem condições de investir. Somando estes fatores, garantiremos ao país crescimento anual de 5% no próximo período.
Tudo indica que o crescimento será duradouro, sustentado em uma política ousada no comércio internacional, mantendo superávit na balança comercial, combinado com uma forte recuperação do mercado doméstico alavancado pelo aumento do emprego e da renda.
Significa que estamos realizando um objetivo histórico do programa do PT, qual seja o novo modelo de desenvolvimento, sustentado por um mercado consumidor de massa, alterando o modelo conservador tucano, excludente, que ampliou as desigualdades sociais durante os oito anos em que governaram o Brasil.
Não podemos esquecer o papel destacado dos programas sociais no crescimento econômico, contribuindo enormemente na distribuição de renda e, consequentemente, na redução das desigualdades sociais. O Bolsa Família alcança um em cada quatro brasileiros, segundo reportagem no Estadão (22/08/2007), sem falar do Pronaf, Prouni e outros programas sociais. O nosso governo inverteu a lógica dos governos anteriores: investimentos sociais deixaram de ser vistos como custos e passaram a ser vistos como investimento.
Não é possível que, com tantos êxitos nas áreas sociais e econômicas, e com uma postura programática voltada claramente para os pobres, ainda haja dúvidas quanto ao caráter de esquerda do governo Lula. Argumenta-se que a aliança ampla e o condomínio de partidos no governo sejam suficientes para tirar o caráter de esquerda do governo, quando na verdade o que define esquerda e direita é, exatamente, a sua opção ou não pelos pobres. Contra fatos reais não há argumentos, o nosso governo é de esquerda exatamente por que está voltado para os mais pobres.
Tudo isto só está sendo possível, porque soubemos domar o monstro da herança maldita da era FHC, adotando uma política econômica responsável e criando as condições para um Brasil mais justo.
(*) Francisco Campos é membro do Diretório Nacional do PT