Passaram-se 15 anos, e hoje, no governo do presidente Lula e do trabalhador, finalmente vislumbra-se a oportunidade de resgate da dignidade do portuário, com a criação pelas mãos do ministro Pedro Brito, do Cenep (Centro de Excelência Portuária).
A exigência da capacitação e a possibilidade da reqüalificação e treinamento desses trabalhadores, para que possam exercer suas funções com segurança, sem os riscos de acidentes de trabalho - que geraram uma morte por mês no ano de 2007 -, é uma conquista desses operários que, de maneira organizada, criaram a idéia de uma fundação, que, isenta das mudanças de diretorias, perenize o trabalho de treinamento e aperfeiçoamento daqueles que construíram a riqueza de Santos.
O Cenep, muito mais que um instrumento da política de recursos humanos, é um centro de pesquisas, de reflexão e de incorporação de novas tecnologias. A efetivação de convênio com nossas universidades e a perspectiva de instalação do Instituto de Ciências do Mar, pela Unifesp, nos permite sonhar com um futuro diferente, como o que outras regiões do Estado de São Paulo já viveram, a exemplo de São José dos Campos, com a presença do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica); de Campinas, com a Unicamp; de São Carlos, com a Universidade Federal; e Ribeirão Preto, com a USP.
É um privilégio para mim ter sido indicado para dirigir o Cenep e ser cúmplice do projeto de resgate da dignidade dos trabalhadores do nosso Porto de Santos, assim como cabe ressaltar a importância do trabalho do deputado Márcio França, com a criação da Secretaria Especial de Portos; o trabalho desenvolvido pelo secretário municipal de Assuntos Portuários de Santos, Sérgio Aquino; a consciência dos trabalhadores; o amadurecimento dos operadores portuários; e a liderança do ministro Pedro Brito, que nos permitem dizer que estamos no advento de dias melhores, onde a Codesp passa, finalmente, a desempenhar o papel de indutora de um grande projeto de desenvolvimento integrado da Baixada Santista.
Se no passado o trabalhador se destacava por determinadas habilidades e força física, no presente quem se destaca é aquele que detém o conhecimento técnico e tecnológico. Mas é para os trabalhadores que amam o porto e a região que a comunidade metropolitana deve voltar seus olhos e lutar para que não se percam nos tempos da “modernização”, mas que essa modernidade apregoada os alcance e os beneficie, como uma das categorias mais importantes do país. |