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Coluna Em Off - Edison Carpentieri, publicada em 06/02/10
Especialista em pesquisas eleitorais (é coordenador do IPAT - Instituto de Pesquisas A Tribuna), o cientista político Alcindo Gonçalves analisa os últimos números divulgados sobre a corrida pela sucessão do presidente Lula e faz uma avaliação sobre o atual quadro eleitoral. Confira:
Jornal da Orla - As últimas pesquisas eleitorais revelam que a candidata do presidente Lula, a ministra Dilva Rousseff, continua em ascensão. Na pesquisa espontânea, inclusive, já está à frente do governador José Serra, virtual candidato do PSDB à presidência. O que isso representa no atual cenário político? Qual deve ser a reação dos tucanos e aliados?
Alcindo Gonçalves - Representa, de fato, a consolidação da candidatura de Dilma Rousseff à presidência pelo PT, e a coloca na disputa direta com José Serra. Um ponto importantíssimo a destacar é que, no atual cenário, Dilma é a única candidata que vem sendo lançada e divulgada (especialmente pelo popularíssimo presidente Lula). Serra não definiu se será candidato, e isso, é claro, dá vantagens a ela, que vem percorrendo o país e tornando-se mais conhecida pela população.
JO - As chuvas contínuas, que têm provocado alagamentos diários em São Paulo, podem estar prejudicando Serra ou a ascensão de Dilma se deve exclusivamente ao apoio de Lula?
Alcindo - Há um certo desgaste de Serra em face das chuvas, mas mais restrito a São Paulo, onde seus índices de popularidade são muito altos. Não creio que isso possa influir negativamente em sua campanha ou candidatura. Já Dilma cresce como a candidata do Lula. Somente durante a campanha - especialmente na TV e nos debates - é que poderemos vê-la com perfil próprio.
JO - Apesar de a diferença entre Serra e Dilma ter caído, o governador de São Paulo continua à frente na pesquisa estimulada (quando é apresentada ao eleitor a lista com os nomes dos candidatos). Em função dos últimos resultados, cresce no ninho tucano a pressão para que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, aceite ser vice de Serra. Na hipótese de o PSDB vir com uma chapa "puro-sangue", com o governador do segundo maior colégio eleitoral de vice, o que muda na campanha? As chances de Serra aumentam?
Alcindo - Sem dúvida que aumentam. Aécio é um governador muito bem avaliado, tem o eleitorado de Minas Gerais nas mãos (o segundo do país), e tem alguma penetração no Nordeste. O difícil será convencê-lo a ser candidato a vice-presidente, uma vez que a opção de ser senador é muito mais atraente, em qualquer cenário (vitória de Serra ou de Dilma).
JO - As pesquisas também mostram que sem Ciro Gomes na disputa, a vantagem de Serra sobre Dilma é bem maior. Ciro, no entanto, é inimigo declarado de Serra. Afinal, uma eventual saída de Ciro da disputa, como quer Lula, favoreceria Serra ou Dilma?
Alcindo - Há quem prefira uma eleição plebiscitária, entre Serra e Dilma já no primeiro turno (parece ser a opção do presidente Lula). Ciro não tem chances reais de ganhar, salvo numa conjuntura muito especial. Mas se ele for candidato, representará uma posição de crítica dura e permanente a Serra, atrapalhando sua campanha
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JO - O fato de Serra ainda não ter assumido oficialmente sua candidatura à presidência pode estar favorecendo Dilma, que é candidata declarada?
Alcindo - No momento, sim. Ela segue percorrendo o país e pavimentando a sua candidatura.
JO - O sr. acha que existe o risco de Serra "amarelar" e preferir uma reeleição aparentemente tranquila ao governo do Estado se as futuras pesquisas indicarem novo crescimento de Dilma?
Alcindo - Serra tem o dilema da sua vida pela frente. Sabe, de um lado, que tem uma reeleição para governador praticamente garantida e um espaço político preservado. Mas, por outro, por sua idade e trajetória, sabe que é sua última chance de disputar a Presidência. Se ele desistir agora, o espaço será todo de Aécio Neves para 2014.
JO - Pela sua experiência em pesquisas eleitorais, até que ponto irá a capacidade de transferência de votos do presidente Lula?
Alcindo - Pela sua popularidade muito alta, Lula tem capacidade de transferir votos e influir nas eleições. Mas Dilma também precisa mostrar-se como uma candidata forte, segura e capaz, especialmente durante a campanha.
JO - Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o PT não conseguiu, apesar de toda a popularidade de Lula, eleger Marta Suplicy prefeita de São Paulo nas últimas eleições e jamais conquistou o governo do Estado. Faltam ao PT de São Paulo grandes lideranças ou PSDB que é muito forte?
Alcindo - PSDB é forte em São Paulo. Ocupa o governo desde 1994, tem lideranças expressivas, bem avaliadas pela população. Por outro lado, o PT tropeça em São Paulo, seja por suas lideranças tradicionais, seja pela falta de um projeto alternativo consistente. E é fato que no governo Lula a base de apoio popular foi bastante transferida para o Norte-Nordeste, em segmentos de mais baixa renda.
JO - A ex-ministra Marina Silva, que é respeitada até no Exterior, pode ser fator decisivo na corrida presidencial?
Alcindo - Não creio. Será muito difícil que ela se viabilize como candidata real. No máximo estará marcando posição para futuras eleições. Mas, num quadro de três candidatos, sua votação, por menor que seja, pode definir a realização do segundo turno.
JO - Os prováveis candidatos à sucessão de Lula são pessoas que conquistaram o respeito nos meios políticos. Neste contexto, o sr. espera uma campanha eleitoral em alto nível ou o país verá uma espécie de vale-tudo?
Alcindo - Entre Serra e Dilma creio que a disputa será civilizada e creio num debate sério e consequente sobre o futuro do Brasil. Com Ciro Gomes na disputa as coisas podem mudar, pelo estilo destemperado do deputado cearense.
JO - O sr. tem um palpite de quem vai suceder Lula?
Alcindo - O que se pode dizer hoje é que a sucessão presidencial no Brasil está afunilada entre José Serra e Dilma Rousseff. Os passos seguintes vão depender das articulações políticas, dos programas, dos discursos, da campanha, enfim.
Projeto "Cidade Limpa" já está na Câmara
Com o objetivo de minimizar os impactos da poluição visual e sonora na cidade e disciplinar a publicidade, valorizando a beleza da cidade e seus espaços públicos, já está na Câmara de Santos projeto de lei complementar elaborado pela administração municipal.
Denominada Lei de Paisagem Urbana, ela prevê a limitação no tamanho dos anúncios nas fachadas, e as mídias exteriores, como outdoors e front lights serão permitidas apenas em locais predeterminados. A lei proíbe a veiculação ou instalação de publicidade em árvores, torres ou postes de transmissão de energia elétrica, placas de sinalização, bancos, lixeiras públicas e monumentos.
O projeto de lei do governo Papa é similar ao que foi aprovado em São Paulo, porém menos rigoroso. Se aprovado, vai reduzir de forma considerável a poluição visual que hoje existe na Cidade.
Ciro reafirma disposição de brigar pela Presidência
Já o deputado federal Ciro Gomes reafirma a disposição de disputar a presidência da República. Ele diz que vai buscar o apoio de outros partidos políticos para uma aliança em torno de um projeto para o Brasil. "Eu me imagino no poder com o PT, mesmo com o PMDB, não vejo problema. Agora, a hegemonia moral e intelectual dessa coligação tem de ser o projeto".
Segundo Ciro, o PSB, seu partido, tem a compreensão de sua responsabilidade com o momento do país. Segundo ele, a aliança em torno de um projeto político é a missão de um partido de esquerda, moderno, independente, "que considera a política um ato coletivo, um movimento de ideias, que não aceita personalismos de nenhuma natureza, nem mesmo daqueles mais queridos amigos".
Para Ciro Gomes, o futuro presidente tem de ter um compromisso com o crescimento econômico e com a distribuição de renda.
DE OLHO NO LEGISLATIVO
Tripulantes do Futuro - O Ministério da Ciência e Tecnologia liberou R$ 1,5 milhão para a implantação da nova unidade do Projeto Tripulantes do Futuro, na Vila Margarida, em São Vicente. O projeto faz parte do programa de construção de Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT). O centro terá três andares e uma área de 1.392 m². Entre as instalações, estão auditório, cômodo que simula uma cabine de navio com banheiro, bar para o curso de bartender, salas para aulas de idiomas e biblioteca. A nova unidade terá capacidade para atender aproximadamente 800 jovens por ano. Segundo o deputado federal Márcio França, a liberação desse recurso agilizará o processo de instalação da nova sede. "Agora a Prefeitura abrirá licitação para a construção da unidade e, em breve, as matrículas para os jovens".
Dinheiro federal - O deputado federal Beto Mansur (PP) apresentou emendas ao Orçamento Geral da União no valor de R$ 12,5 milhões. São recursos para investimentos na Baixada, em sua maioria, com destaque para a área de infraestrutura urbana.
Bancos - Completou um mês a lei que obriga os bancos a iniciar expediente às 10h. E o vereador Antônio Carlos Banha (PMDB), responsável pela proposta, está satisfeito com os resultados. "Embora o valor da multa seja simbólico para os banqueiros (um salário mínimo), todas as agências bancárias da cidade estão cumprindo a lei à risca. Isso significa mais respeito aos santistas em especial aos nossos idosos".
Painéis eletrônicos - Após anunciar a instalação de placas com o itinerário e frequência das linhas em alguns pontos de ônibus da cidade, a prefeitura informou que também está elaborando processo licitatório para a colocação de painéis eletrônicos, em resposta ao requerimento apresentado pelo vereador Sadao Nakai no dia 5 de outubro. Segundo o prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB) "a Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos fará uma licitação visando à implantação dos painéis sugeridos pelo parlamentar".
Reporto - Atenta à elaboração do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2), a vereadora Telma de Souza (PT) solicitou ao governo federal que os benefícios hoje concedidos com o Reporto tornem-se permanentes, por meio de legislação específica. O Reporto é o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária. Adotado pela primeira vez em 2004, pelo prazo de três anos, a pedido do setor portuário o regime foi estendido para até 31 de dezembro de 2010. "É sabido que muitos terminais adquiriram importantes equipamentos. Isto, aliado a outros aspectos, permitiu maior competitividade para o comércio exterior brasileiro, ajudando a atenuar os impactos da crise mundial", afirmou Telma.
Sacola ecológica - Um projeto de lei que obriga os estabelecimentos comerciais a fornecer sacolas plásticas biodegradáveis, ou reutilizáveis, já foi encaminhado ao Executivo. O autor do projeto, vereador Manoel Constantino (PMDB), está otimista. "Se for aprovado, será um grande presente não só para a sociedade santista, mas também para o meio ambiente. Só para citar, duas das maiores vilãs dos nossos mangues são as sacolas plásticas e as garrafas pets. Sendo aprovado, nos livraremos de uma delas", afirma o parlamentar. |