
Ao participar da audiência de apresentação do projeto da ponte estaiada elaborado pela Prefeitura de Guarujá como alternativa à proposta preliminar do Governo do Estado, na noite de segunda-feira, dia 1º, o deputado estadual Fausto Figueira (PT) enfatizou que a ligação seca entre Santos e Guarujá representa um sonho coletivo, mas pediu a atenção da sociedade civil para que a obra cause menos impacto possível à comunidade local. "Ao impactar a região, a obra deve trazer mais benefícios do que prejuízos à população", lembrou. A audiência, realizada pela Prefeitura e pela Câmara de Guarujá, lotou o auditório do Teatro Procópio Ferreira.
Para Fausto, a nova obra deve se inserir em um projeto de transporte metropolitano para a região. “Para o futuro da região, é fundamental pensar em soluções metropolitanas, que contemplem pontes, balsas, VLT, ciclovias, todos os modais. É essencial também a integração das margens direita e esquerda do porto para tirar os caminhões das cidades”. O cuidado sugerido pelo deputado leva em conta os impactos e a irreversibilidade que determinados projetos podem causar no futuro.
A deputada estadual Maria Lúcia Prandi (PT), também presente, observou a importância de se atentar para todos os detalhes, principalmente com os acessos e obras complementares, para que não se repita o que ocorre com a segunda pista da Imigrantes, até agora com algumas obras não concluídas. O representante do Ciesp/Fiesp na região, Arnaldo de Souza Fortes, reforçou a preocupação, pedindo cautela com a complementação do empreendimento.
Se o projeto elaborado pela Prefeitura de Guarujá for aceito, a ponte estaiada terá sua extensão aumentada em 1.150 metros em relação ao projeto preliminar, para causar menos impacto urbano e reduzir substancialmente a necessidade de desapropriações. A medida representa um prolongamento de um terço no tamanho total da obra, que passará a ser 4.490 metros. “Nosso foco foi causar menos impactos para as pessoas”, afirmou a prefeita Maria Antonieta Brito.
Provável traçado – Se o Governo de São Paulo aprovar o projeto proposto pela Prefeitura de Guarujá, a nova ponte terá uma de suas cabeceiras na avenida Mário Covas (Portuária), em Santos, e a outra na avenida Santos Dumont, onde um trevo distribuirá o tráfego de veículos nos sentidos praia e Vicente de Carvalho. Por essa opção, a passagem de bicicletas deverá ser descartada.
Do lado da ilha de Santo Amaro, o acesso se estenderá por 500 metros de mangue e outros 450 metros dentro da área urbana, passando sobre um pequeno trecho da avenida Adhemar de Barros, contornando o Iate Clube de Santos e margeando o rio Santo Amaro, no bairro Santo Antonio.
A rodovia Cônego Domenico Rangoni foi excluída do projeto por exigência do Governo de São Paulo, que não quer problema com a concessionária Ecovias, que administrar a estrada.
O custo da obra, pelo projeto da Prefeitura, está orçado em R$ 694 milhões, incluindo 32 desapropriações. Mais R$ 30 milhões serão consumidos em obras viárias complementares à ponte. Em maio, quando apresentou o projeto preliminar, o Governo Estadual indicou um valor de R$ 500 milhões, mas, pela proposta, o traçado exigiria 456 remoções, envolvendo duas mil pessoas, o que elevaria o empreendimento para R$ 1 bilhão.
Também compareceram o prefeito de Bertioga e presidente do Consesb, Mauro Orlandini; o presidente da Câmara de Guarujá, José Carlos Rodrigues; o deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa, representantes de entidades da sociedade civil, empresários, comerciantes, ongs e lideranças comunitárias. |