
A saúde foi o foco da palestra proferida pelo deputado estadual Fausto Figueira (PT) na solenidade festiva pelo 58º aniversário da Loja Maçônica União Santista, na noite de segunda-feira, dia 8. O evento, encerrado com um jantar, também comemorou o Dia Internacional da Mulher. No final, Fausto foi presenteado com uma placa alusiva à data.
Em sua fala, o deputado, que é médico, expressou seu orgulho por exercer as duas atividades. “Mesmo neste momento em que os políticos são tão criticados e colocados na vala comum. É preciso participar do processo de escolha, pois o espaço para o exercício da política existe e se não for ocupado por pessoas dignas e conscienciosas, será ocupado por alguém”, alerta.
Como médico, Fausto contou que pode perceber que muitas doenças têm causas sociais: “Por trás das doenças há a falta de moradia, de saneamento, de trabalho, de salário”. Ele chamou a atenção para os baixos indicadores de saúde da Baixada Santista, vários deles apontados como os piores do Estado de São Paulo: maior índice de mortalidade infantil, de mortalidade materna, menor expectativa de vida do Estado, maior índice de câncer de mama do Brasil, 2,5 vezes mais tuberculose do que o restante de São Paulo. “Quando cito os indicadores não é para causar pânico, mas para que haja uma mobilização para mudar essa estatística.. De nada adianta compilar dados, se não puder interferir e mudar os indicadores”.

Para Fausto, a crise da saúde não é uma questão apenas de recursos, mas de gerenciamento. “Os municípios da Baixada Santista gastam em média 30% de seus orçamentos com saúde, o dobro do que legalmente estão obrigados. O problema é também de gestão. Saúde, segurança, transporte devem ser tratados dentro de um planejamento regional, já que a região vive problemas comuns”.
Melhorar a remuneração do profissional de saúde é outro ponto importante para o deputado, que destacou a importância da relação médico-paciente, tão praticada no passado. “Hoje, se pede exame para tudo e até o paciente solicita. O exame subsidia o diagnóstico médico, mas uma relação de confiança médico-paciente muitas vezes é suficiente para resolver. O excesso de exames passa pela pressão da indústria de equipamentos e encarece o custo da medicina. No espigão da Paulista (São Paulo) há mais aparelhos de tomografia do que o país do Canadá inteiro”, exemplifica.

Uma das causas da crise na saúde, na opinião do deputado, é o mau funcionamento do serviço de atenção básica, que são as unidades e postos de saúde. “Se estamos precisando mais dos pronto-socorros e hospitais é porque as unidades básicas não estão funcionando como deveriam”, constatou. O deputado também citou o fato do Hospital dos Estivadores de Santos permanecer fechado, mesmo tendo estrutura física para atender 300 pacientes.
Dengue – Fausto aproveitou para renovar o alerta para a dengue e pedir a colaboração de todos no esforço de combater a epidemia. “Saturnino de Brito fez os canais de Santos para combater epidemias e o Hospital Guilherme Álvaro foi criado como hospital de isolamento dentro do planejamento sanitário. Ficamos duas vezes livres do vetor da dengue, que é o mesmo da febre amarela. Não é possível que, com o avanço da medicina, sejamos ameaçados por uma infecção que foi debelada por Saturnino de Brito no começo do século passado. Não é só uma questão da autoridade pública, mas de todos os cidadãos”.

Saúde da mulher – Para Fausto, é direito da população feminina ter acesso na rede pública a exames e tratamentos como ultrassom, mamografia, pré-natal, planejamento familiar. “O exame não pode demorar meses para ser feito, pois ele é pedido para se conhecer a situação do momento. Se for feito com muito atraso, é como se fosse outro paciente, o quadro clínico já vai ter se alterado”.
Fausto, que é autor de projeto de lei que instituiu gratuidade no transporte intermunicipal para portadores de doenças crônicas e degenerativas, como câncer de mama, falou da necessidade de dar esse respaldo aos pacientes sem recursos financeiros, que muitas vezes abandonam o tratamento por não ter dinheiro para condução.
|