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Fotos: Assessoria Alesp
Os municípios devem investir no atendimento nas unidades básicas de saúde e orientar a população a procurar esse serviço como forma mais eficaz de assistência aos pacientes da dengue, evitando a sobrecarga de hospitais e pronto-socorros, assegurou a coordenadora Clélia Aranda, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doenças, ao ser ouvida na tarde terça-feira, dia 2, pela Comissão de Saúde e Higiene da Assembléia Legislativa. A reunião foi sugerida pelo deputado estadual Fausto Figueira (PT), que preside a comissão, para tornar público as medidas de prevenção que as autoridades de saúde do Estado estão adotando em relação à dengue e a gripe A H1N1.
Também foram ouvidos o superintendente de Controle de Endemias (Sucen), Affonso Vivianni Junior; a diretora geral do Instituto Adolfo Lutz, Marta Salomão Lopes; e o representante do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado, Para Luiz Seraggio Neto.
“Para reduzir a letalidade da doença e a síndrome do choque do dengue é fundamental a organização da atenção primária de saúde, que é o local apropriado para o primeiro atendimento. A triagem pode ser feita pela enfermaria, antes de passar pelo médico, aferindo a pressão arterial, medindo a temperatura, observando os sinais de alarme, entre outros procedimentos muito difíceis de acontecer na porta do Pronto-Socorro. Para prestar atendimento, salvar vidas, não é preciso ter o resultado do exame em mãos. Muitas vezes a contagem de plaquetas, um hemograma, é suficiente”, enfatizou a técnica da CCD, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde.
Este ano, a dengue já tem quase 8 mil casos notificados no Estado de São Paulo, onde predomina o tipo 1, que circulou há pelo menos 10 anos, o que deixa parte da população vulnerável à doença. Apenas na Baixada Santista o tipo 2 se manifestou. Há quatro sorotipos do vírus e quando o indivíduo adquire um, fica imunizado apenas contra ele, podendo ser novamente infectado por outro sorotipo. Se isso ocorre, as chances de desenvolver dengue hemorrágica aumenta em 5%, além de outras complicações.
Risco de agravamento - Desde 1997, Santos já registrou mais de 38 mil casos – na Baixada Santista o número chega a quase 86 mil. Acontece que a cada 10 pessoas contaminadas, apenas uma manifesta os sintomas, o que, nas contas do deputado Fausto Figueira, significa que quase toda a população de Santos já foi contaminada, aumentando as chances de complicações da doença numa segunda infecção.
Clélia Aranda confirmou a informação, exemplificando que num grupo de 10 mil contaminados, mil apresentará sintomas,. 400 com quadro clinico importante e 100 evoluirá para quadro hemorrágico. “Por isso, o acompanhamento deve ser bastante próximo nas primeiras 48 horas para não complicar. A grande maioria não precisa internação, a medicação e uma boa orientação de hidratação são suficientes”. Na Baixada Santista, o atendimento aos casos graves está sendo prejudicado pela carência de leitos hospitalares. O Ministério da Saúde considera ideal a existência de três leitos para um grupo de 1 mil habitantes. Em Santos, há 4,51. A média regional, no entanto, assusta: é de 1,90.
Para o deputado estadual Fausto Figueira, não é possível em pleno século 21 as pessoas morrerem por um mosquito. “Com a circulação do tipo 2, o potencial de agravamento da doença é maior. Percebo uma certa conformação em se conviver dengue, temos enfrentar e eliminar o vetor”.
Kits de exames – Marta Salomão Lopes informou que a rede pública de saúde de São Paulo pretende adquirir kits do teste NS1, que permite um rápido diagnóstico da doença. A Baixada Santista deverá receber algumas unidades, exceto Guarujá, devido à alta incidência de dengue no município. Pelo exame atualmente utilizado, o MAC-Elisa, o vírus só é detectável entre 5 a 10 dias depois do aparecimento dos primeiros sintomas, período em que o quadro pode ser agravado.
O objetivo, explica a diretora do Adolfo Lutz, não é fazer o paciente conhecer o diagnóstico, mas municiar de dados os serviços municipais de vigilância para que possam conduzir as ações de controle de vetores, conter a transmissão e reduzir as complicações da dengue hemorrágica.
O Instituto Adolfo Lutz, como laboratório de pesquisa, faz exames de diagnóstico e monitoramento do vírus. “Quando se caracteriza a epidemia franca, ou seja, espalhada pela cidade, o instituto cessa os exames, mas capacita, orienta, treina supervisores para os municípios. É preciso melhorar a assistência básica, treinar mais, agilizar os diagnósticos”, recomendou a pesquisadora.

Prevenção é atacar o mosquito – Questionado por Fausto Figueira sobre a possibilidade de eliminação do mosquito do território nacional – o que já aconteceu por duas vezes, nas décadas de 30 e 50 -, o superintendente da Sucen, Adolffo Vivianni informou que o mosquito está adaptado ao ambiente urbano, o que torna impossível sua erradicação nos tempos atuais. “O combate é a única forma de prevenir. Não é através de campanha de uma semana ou um mês; é diariamente, com visitas de casa em casa e em imóveis de grande circulação de pessoas”. Segundo ele, os municípios devem fazer a linha de frente, “a Sucen coordena o Comitê Estadual de Combate à Dengue e atua de maneira complementar e suplementar às atividades dos municípios”.
Vivianni criticou a alta rotatividade dos agentes da dengue contratados pela Prefeitura, o que desperdiça o conhecimento adquirido nos treinamentos e dificulta a melhor capacitação das equipes. “Treinamos e geralmente ficam alguns meses”. Atualmente, há 27.970 funcionários municipais envolvidos nesta atividade diária. . Para Luiz Seraggio Neto, a dengue só vai estar realmente controlada quando tiver a vacina, tarefa dificultada pela existência de quatro sorotipos do vírus.
Gripe A H1N1 – NO próximo dia 8, o Ministério da Saúde inicia a vacinação, estabelecendo períodos para cada grupo da população. Segundo Clélia Aranda, a vacina não tem a finalidade de conter ou inibir a transmissão, mas diminuir a morbimortalidade relacionada à doença.
“O Brasil é um dos poucos países a vacinar pessoas saudáveis. É que em 2009, quando surgiu a pandemia, a faixa mais acometida foi a de adultos jovens e grávidas no segundo e terceiro trimestre de gestação. As crianças terão que receber uma segunda dose após um mês para induzir a resposta imunológica. Já em pessoas acima de 60 anos, além da vacina habitual será oferecida a vacina pandêmica para os que têm doença crônica”.
Desde que foi dado o primeiro alerta da nova doença, em abril de 2009, a gripe A já chegou a 213 países, com o registro de 16.200 óbitos. Em São Paulo, dos 645 municípios, 415 tiveram casos confirmados de Influenza pandêmica, com 550 óbitos. Clélia Aranda informou que pela gripe comum, que não é de notificação compulsória, estima-se que ocorram de 4 a 5 mil óbitos por mês no Estado de São Paulo devido às complicações associadas à doença.
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