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Direitos Humanos
 
19/03/2010
Frente de Apoio à Luta Antimanicomial dá voz
a pacientes e recebe adesão de 23 deputados
 


Mais do que ouvir especialistas da saúde mental, o lançamento da Frente Parlamentar de Apoio à Luta Antimanicomial, quinta-feira, dia 18, na Assembléia Legislativa de São Paulo, deu voz a pacientes e familiares exporem, em depoimentos emocionados, as dificuldades vividas pelos portadores de transtornos mentais e os grandes desafios a serem superados.

Criada por projeto de resolução do deputado estadual Fausto Figueira (PT), a Frente nasce com a adesão de 23 parlamentares de diferentes partidos, com o intuito de propor medidas que contribuam para fortalecer e ampliar o serviço de atendimento da saúde mental, buscando ao mesmo tempo alternativas de tratamento e integração do paciente à sociedade e à família. Na coordenação, além de Fausto Figueira, estão os deputados Ana do Carmo, Simão Pedro, Vanderlei Siraque e José Cândido.

O lançamento reuniu parlamentares, profissionais de saúde, pacientes de núcleos de assistência psicosocial e familiares. Abrindo o evento, um desfile performático da grife DASDOIDA, criada pela Escola Experimental da Moda do Projeto de Saúde Mental do CAPS Itapeva.



Do debate sobre a “Reforma Psiquiátrica e as novas Tecnologias Psicosociais” participaram o coordenador nacional da Saúde Mental, Pedro Gabriel; a coordenadora estadual de saúde mental, Regina Bichaff; a coordenadora de saúde mental da cidade de São Paulo, Rosângela Lira;  Rogério Gianini, do Sindicato dos Psicólogos e Maria Salum de Morais, do Conselho Regional de Psicologia. Como mediadora, a psiquiatra Júlia Catunda, coordenadora da DASDOIDA.

Avanços e desafios - Fausto lembrou que apesar da vigência da lei 10.216/01, que estabeleceu a reforma psiquiátrica, os desafios permanecem enormes. “É um desafio coletivo, o sucesso da luta virá à medida que formos capazes de responder aquilo que preconiza a reforma psiquiátrica”.

A lei 10.216 busca consolidar um modelo de atenção à saúde mental aberto e de base comunitária. Isto é, que garanta a livre circulação das pessoas com transtornos mentais pelos serviços, comunidade e cidade, e ofereça cuidados com base nos recursos que a comunidade dispõe. Este modelo conta com uma rede de serviços e equipamentos variados.



O parlamentar alertou que a opção pela internação deve ser uma absoluta exceção,  não regra, e foi aplaudido quando citou a pessoa do ex-prefeito de Santos, David Capistrano Filho. “Tive o privilégio de ter convivido com um pregador da saúde, que foi David Capistrano, que fechou a masmorra que era o Hospital Anchieta, enfrentando toda uma discussão na sociedade. Na falta de atendimento ambulatorial satisfatório, muitas vezes se vê a internação como solução”, disse, reconhecendo que o problema afeta muito a família envolvida.

IV Conferência Nacional de Saúde Mental – Pedro Gabriel citou a oportunidade da Frente Parlamentar ser criada no ano em que acontece a IV Conferência Nacional de Saúde Mental Inter-Setorial, de 27 e 30 de junho, em Brasília. A última conferência foi realizada em 2001, mesmo ano em que foi aprovada a Lei 10.216.

Um dos eixos do evento, segundo Pedro Gabriel, será a definição do que é preciso ser feito para criar uma rede de assistência forte, o que também passa pela destinação de maiores recursos. “Hoje, há um desequilíbrio entre os recursos existentes e a capacidade do Estado prover esta rede. Destina-se pouco mais de 2% dos recursos do SUS para a saúde mental e, em contrapartida,de 13 a 14% da população procura pelo menos uma vez no ano pelo serviço”. Para Pedro Gabriel, houve de fato mudanças significativas no cenário da assistência, mas o processo está em andamento.

Prisioneiros sem crime - Regina Bichaff elogiou o apoio da Assembléia Legislativa à luta antimanicomial. “Criamos assim formas mais contundentes de avançar, de consolidar as políticas públicas. O grande desafio é a transformação social, trabalhar para produzir formas de relação dos diferentes. Se não criarmos espaços a reforma está em questionamento”.

Segundo ela, o Estado de São Paulo tem 229 centros psicossociais cadastrados no Ministério da Saúde, o que cobre apenas 50% da demanda pelo serviço. Além disso, a distribuição dos núcleos pelos municípios paulistas é desigual. Pesquisa efetuada pela Secretaria de Estado da Saúde em 2008 revelou que existiam 6.349 pacientes internados há mais de 1 ano, o mais antigo deles vivendo em hospital psiquiátrico há 67 anos.

O dado foi comparado pelo representante do Sindicato dos Psicológicos Rogério Gianini com a pena máxima que o Código Penal prevê no Brasil: 30 anos de reclusão. “Um paciente mental é mantido aprisionado há 67 anos, sem ter cometido delito algum. Interna-se para tirar da frente, o que não resolve, apenas exclui”.

Rogério cumprimentou os parlamentares pela iniciativa, lembrando que esse é um debate que precisa ser levado para fora do universo dos especialistas, usuários e familiares. “A legislação é o grande divisor de águas para que se passe a enxergar os direitos dos pacientes e trabalhar nesta perspectiva.  Mas, apesar dos avanços, o mal estar persiste devido ao desconhecimento que leva ao preconceito”.

Maria Salum, do Conselho Regional de Psicologia, propôs a inclusão dos usuários de drogas nessa luta e apontou a necessidade de qualificação profissional. “Muitos profissionais da saúde não estão capacitados a lidar com essa situação. É preciso ter maior atenção nas unidades básicas para que não seja necessário chegar ao Caps”.

Frente Parlamentar – Também integram a Frente Parlamentar os deputados estaduais Adriano Diogo, Ana Perugini, Beth Sayão, Carlinhos Almeida, Célia Leão, Donisete Braga, Ed Thomas, Geraldo Vinholi, José Bittencourt, José Cândido, Marcos Martins, Maria Lúcia Prandi, Pedro Tobias, Raul Marcelo, Roberto Felício, Rui Falcão, Hamilton Pereira e Edson Ferrarini.

 
 
 
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Comentários da Notícia
24/03/2010 - lucia comentou
sou conselheira gestora do Caps SBC espero que o restante dos parlamentares se sencibilisem com a causa não porque vai ter eleição mais se porque são pessoas abandonada por toda sociedade ate porque e mais facil jogar em um hospitar do que dar carinho a esssas pessoas tão carente de tudo , porque doença não escolhe a raça, cor, raligião, situação financeira etc.Vamos todos abraçar a Luta Antimanicoial.
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21/03/2010 - zuzu fontes comentou
Carta aberta ao congresso nacional,Às organizações, associações, autoridades de saúde, profissionais de saúde mental, legisladores e juristas.
C/C Organizações das nações Unidas
Pelos usuários de sistema de saúde mental terem direito a acompanhante enquanto internados.

Senhores,
Reivindicamos o acompanhamento na internação dos usuários de saúde mental por parente próximo como obrigatório nas instituições psiquiátricas brasileiras.
.....Visto que, o usuário de saúde mental é incapaz.perante a lei e as instituições psiquiátricas são ineficazes em salvaguardar sua dignidade pessoal visto que o usuário de saúde mental depende de apoio da família para sua melhoria e bem estar; e ainda que a internação solitária gera maior incapacidade social causado pelos descasos do quadro clínico e até da família Verificando também que inúmeras drogadições, lobotomias e eletro choques são efetuados em clínicas de saúde mental publicas ou particulares,remédios fortes são prescritos sem o conhecimento e consentimento da família, podemos causar sérios danos ao SNC e dependência química.
Sabemos, que por serem incapazes de lutar pela sua vida e direitos,pelas limitações inerentes aos mesmos,e métodos atuais de internação não possuem até então caráter preventivo de recaídas. Se este paciente, é incapaz pela ciência, porque deixá-los a mercê de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagens, distanciando-o de sua realidade e dificultando sua recuperação?
A drogadiçao excessiva é motivo de maior despesa no orçamento do SUS e conseqüente volta e permanência do mesmo dentro dos hospitais: quanto maior drogadiçao o usuário for exposto, mais demorará para sua recuperação e reinserção social e familiar. Para livrar-nos do sistema crônico de geração de pacientes psiquiátricos pelas clinicas e laboratórios, devido aos vícios de fármacos contínuos que causam dependência física e psíquica
Ora, são incapacitados, perante a lei, mesmo temporariamente,têm o direito humano de permanecerem acompanhados de familiares, pais,irmãos esposas ou filhos,até a sua alta!
Que seja instituído por lei o direito de um acompanhante quando se der a internação de um usuário de saúde mental em qualquer leito de instituição psiquiátrica brasileira.Que seja pautada na lei a dignidade humana de todos e inclusive do usuário de saúde mental, aprovando e assegurando a permanência de um acompanhante ao paciente, assegurando-lhes o equilíbrio, e a segurança pessoal na insanidade,como cidadãos que são!
Senhores,solicitamos em caráter de urgência esta lei!

ATENCIOSAMENTE,
Zulmira Guimarães Fontes
Usuária de saúde mental- ES
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21/03/2010 - Nilo Neto comentou
Parabéns Deputado Fausto e demais companheiros da frente parlamentar. Momento crucial de nos aliarmos pela reforma psiquiátrica antimanicomial em São Paulo e todo Brasil.
Parabéns Senhor Geral e toda turma forte do Movimento Antimancomial. Vamos juntos nessa luta.

Nilo Neto
Militante da Luta Antimanicomial - Fpolis - SC
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20/03/2010 - Rosemar Prota comentou
Parabéns pela iniciativa. É uma questão de direitos humanos e de cidadania garantir tratamento humanizado e integral como preconiza o SUS em saúde mental.
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20/03/2010 - Geraldo Peixoto e Dulce P. Santos comentou
Parabéns deputado Fausto Figueira e a todos os demais deputados que compuseram essa frente, pela importância do lançamento da Frente Parlamentar, em tão boa hora criada, às vésperas da IV Conferência Nacional de Saúde Mental-Intersetorial! Sentí-me grandemente envaidecido, quando convidado para desfilar para a grife da DasDoida, pelas companheiras Julia e Marcia, idealizadoras desse projeto, tão belo e provocador, que deu vida, voz e inclusão a inúmeros usuários da Saúde Mental. Felicíssima ideia! Conte sempre com nosso apoio nas questões que digam respeito à saúde mental, à reforma psiquiátrica e à luta antimanicomial. Mais uma vez, nossos parabéns! Geraldo/Dulce
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Gostaria de lembrar que como será uma reunião suprapartidaria não é de bom tom colocar...
Eraldo Magalhães
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